Marta, um fenômeno desvalorizado

Um fenômeno. Assim, podemos definir Marta Vieira da Silva. Hoje, 24 de setembro de 2018, ela entra para história como a maior vencedora (entre homens e mulheres) do prêmio de melhor do mundo da FIFA (passa, inclusive, Cristiano Ronaldo e Messi, que tem cinco títulos cada um).

Podemos colocar a Marta na galeria de heróis esportivos brasileiros. Em meio a um mundo do futebol dominado por homens, ela está bem a frente do nosso principal jogador entre os homens e devolve o protagonismo, no prêmio, ao Brasil. Podemos definir a jogadora como uma legítima brasileira. Mesmo não sendo valorizada, ela briga em um espaço em uma sociedade machista e patriarcal (nesse sentido, qualquer semelhança com o cotidiano de muitas mulheres não é mera coincidência).

O prêmio recebido na FIFA é muito mais simbólico que a importância dele propriamente dito. Sabemos que a entidade máxima do futebol não está no auge de sua credibilidade e que, na maioria das vezes, no futebol masculino, não reflete a realidade. Quer ver? Módric recebeu o prêmio de melhor do mundo entre os homens (muito em virtude pela sua atuação na Croácia durante a Copa do Mundo da Rússia), mas quem você iria querer no seu time? Módric ou Cristiano Ronaldo? Módric ou Messi? Módric ou Salah?

Mas no caso de Marta, vemos que os nossos fenômenos não são valorizados como merecem. Caem no ostracismo. São taxados em virtude de um vice-campeonato mundial (em 2007, no caso de Marta), duas pratas olímpicas (Atenas 2004 e Pequim 2008) e um quarto lugar na Rio 2016. Não valorizamos quem merece. Lembre-se: Marta está em uma cultura do futebol latino, caracterizada por ser muito machista. Repare: os países de língua latina não apresentam seleções femininas fortes. Entre as campeãs do mundo, entre os homens, de origem latina (Brasil, Argentina, Uruguai, Itália, Espanha), apenas o Brasil apresenta, invariavelmente, certo protagonismo no futebol feminino.

E para os críticos. A Marta já jogou no Brasil durante seu auge. No final de 2009 e no final de 2010, ela jogou pelo Santos e foi campeã da Libertadores, em 2009. Mas, em virtude, da precariedade e inexistência do nosso futebol feminino fez com que retornasse aos Estados Unidos.

Assim, o prêmio recebido pela Marta (o hexa, olha que ironia!) é mais um fato que mostra como não valorizamos os nossos fenômenos. E toda vez que ver as meninas da Seleção Brasileira em campo, lembre-se: ali, vão verdadeiras guerreiras, legítimas brasileiras.

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