O atentado contra Jair Bolsonaro

A semana foi agitada no Brasil. Começou com o incêndio no Museu Nacional e terminou com a facada sofrida pelo candidato à presidência do PSL, Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora, no dia 06 de setembro.

Em tempos em que cada um acredita na sua própria verdade e acaba sendo influenciado pelas redes sociais e, por consequência, nos algoritmos do Facebook, as teorias da conspiração invadiram o Facebook, o WhatsApp e todas as redes. Em era de pós-verdade, o que importa é o que penso e acredito. Assim, nesse momento, a hipótese, por incrível que pareça, que menos é creditada a ser considerada é a ação de um lobo solitário (razão em que acredito). Guardada as devidas proporções (e coloca devidas nisso), lembra um pouco a ação de fundamentalistas islâmicos, isolados, que vira e mexe chama a atenção da Europa e do mundo.

A polarização está tamanha que uns defendem que foi articulado pelo PT e outros que foi feito pela equipe do próprio candidato. Talvez, esteja no inconsciente de todos a pedrada de bola de papel que o então candidato do PSDB, José Serra levou, no Rio de Janeiro, nas eleições de 2010. Relembre esse caso aqui.

Cabe lembrar que atentados a candidatos à presidência são até certo pontos comuns em realidade de América Latina. O caso de Bolsonaro foi o primeiro desde 1994 (clique aquie leia o último ocorrido em países da América Latina). A Colômbia, por anos, vivenciou isso.

Mas voltando ao assunto que agitou o noticiário… As consequências práticas desse atentado só começarão a ser vistos nessa semana. Elas serão um pouco mais claras com as pesquisas de intenção de votos que serão divulgados na segunda, dia 10, pelo Ibope, e no dia 11, pelo Datafolha.

A tendência, nesse momento, é que a rejeição ao candidato do PSL (que na semana passada subiu quase dez pontos percentuais) caia, que ele seja beneficiado pela comoção do ato. Tudo indica que o deputado estará no segundo turno. Mas, estamos em tempos em que tudo muda muito rápido. Nessa semana, os noticiários diminuirão a cobertura do caso e revelações do incêndio no Museu Nacional podem e devem diminuir o espaço de Bolsonaro na mídia, ou seja, ter, provavelmente, o mesmo espaço de antes. Dessa forma, para o candidato continuar se beneficiando disso, a equipe de marketing precisa entrar em ação e que o seu vice, o general Mourão, seja bem articulado. No entanto, só o fato do vice ser general já causa calafrios em muita gente e deve causar perda de votos.

Já para os adversários, o óbvio era condenar o ataque e se solidarizar com o candidato. Mas, os marketeiros, em época de pós-verdade e disseminação de qualquer notícia em pouco tempo, podem e, tudo indica, devem investir em uma possível fragilidade da saúde de Bolsonaro, já que ele vai precisar passar por uma nova cirurgia. Podem fazer comparações com a eleição de Tancredo Neves e questionar se, de fato, ele poderia assumir o Palácio do Planalto, em caso de vitória, ou seja, se estaria em boas condições de saúde. Basta lembrar que a frágil da saúde de Tancredo e a sua morte fez com que a presidência caísse no colo de Sarney. E o seu governo foi um desastre completo. É um prato cheio para os adversários de Bolsonaro e as suas comparações.

Outra linha que pode ser seguida por marketeiros é que a linha defendida por Bolsonaro, o de armamento da população (ou o ódio gera ódio, como seus críticos falam) gerou isso (a defesa de Adélio já argumenta isso).

O fato é que essas eleições que estavam de difícil previsão, se tornará cada mais surpreendente e cada passo a torna cada vez mais imprevisível. Agora, de fato, vemos uma eleição com reflexos das Manifestações de 2013 e da Operação Lava-Jato.

A um mês da eleição presidencial, o Brasil começará o dia 07 de outubro, muito provavelmente, sem saber quem ainda estará na corrida ao Palácio do Planalto no dia 08.

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1 Resultado

  1. 5 de outubro de 2018

    […] Para ler o texto sobre o atentado de Bolsonaro, clique aqui […]

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