Senta aqui. Vamos conversar. Onde dói? Como posso te ajudar?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, no mundo, a cada 40 segundos uma pessoa se mata. De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada em 2017, depois da violência e de acidentes de carro, o suicídio é a maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos. No mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, é a segunda maior causa de morte entre jovens. Cerca de 11 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos no Brasil. Entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram a vida no país. Nesse número, 62% dos suicídios foram causados por enforcamento. Segundo especialistas, o número de suicídios é maior, porque há uma perda de diagnósticos em casos de suicídio.

Esses dados foram divulgados durante o “Setembro Amarelo”. Você já viu esse nome? Para quem não viu ou quem viu e não lembra, o setembro amarelo é o mês de campanha de conscientização contra o suicídio. Reparem que mesmo com esses números, o suicídio é um grande tabu social. Quando você conversa com alguém e fica sabendo que algum conhecido morreu, perguntamos o que aconteceu. Caso seja um acidente de carro ou vítima da violência, queremos detalhes até a morte. Mas, se o suicídio ocorre, encerramos o assunto na mesma hora.

Por que a pessoa se mata? Ela dá sinais? É hereditário? A imprensa tem que tratar do assunto?

De acordo com especialistas, a pessoa que se mata ou que tenta se matar, não quer tirar a própria vida, mas sim acabar com a dor, acabar com o problema.

Os motivos que levam a pessoa a se matar podem ser variados, mas o estigma ainda é grande. No atestado de óbito, muitos parentes optam por colocar “acidente por arma de fogo” e escolhem não conversar sobre o assunto. No entanto, para quem ficou, no início, fica a revolta, as várias perguntas e André Trigueiro, em seu livro “Viver é a melhor opção”, fala que parentes e amigos próximos se tornam potenciais suicidas e precisam ser acompanhados.

Para especialistas, o suicida manda vários sinais que mostram qual é a intenção dele e alguns são (para mais detalhes, clique aqui):

1 – Organização financeira: deixar as finanças arrumadas para a família não ter problema;

2 – Despedida: começa a ligar para amigos de infância, primos distantes que há muito tempo não falava;

3 – Discurso nostálgico: começam a falar só de passado e quando o futuro é citado, eles puxam para o passado, porque, para eles, não existe futuro;

4 – Desfazer de coisas materiais: incluindo de coisas de grande valor sentimental, caracterizando um testamento em vida.

Claro que falando de pessoas, a atenção precisa ser redobrada e cada um pode exibir uma característica particular.

É hereditário?

O suicídio não é hereditário. O que pode ser, são os transtornos mentais, que podem levar ao suicídio, mas para isso tem tratamento.

Imprensa

Muita gente questiona o tratamento da imprensa em relação ao suicídio. A mídia precisa ter uma responsabilidade muito grande em relação a isso, porque pode causar um efeito gatilho. Ou seja, pessoas com fragilidades emocionais podem ser estimuladas caso vejam nos meios de comunicação notícias como esta.

Porém, quando noticiar, ela deve seguir dois requisitos da Organização Mundial da Saúde: é não descrever como o suicídio aconteceu, ou seja, não dar detalhes nem contar o passo a passo do ocorrido (esse é um dos motivos as críticas da série Os 13 porquês) e não colocar a vítima como herói, porque quem está frágil emocionalmente pode ser estimulada a fazer isso para poder se tornar herói.

Dessa maneira, devemos sempre lembrar que quando a pessoa pedir uma conversa de dois minutos, dê ouvidos. Seus ouvidos podem salvar uma vida. As pessoas carecem de serem ouvidas. De amizades reais e verdadeiras, não somente aquele de Facebook ou WhatsApp. E lembre-se sempre de perguntar: Onde dói? Como posso te ajudar? Às vezes, a sua ajuda está somente em emprestar os ouvidos para conversar.

Inspire-se no Centro de Valorização a Vida (CVV) – 141 – Contato preparado para conversar, ou seja, no combate ao suicídio. Eles estão sempre preparados para ouvir. Paremos de falar e vamos escutar. Como diz o filme “Extraordinário”: seja gentil sempre, porque todo mundo passa por uma batalha. Senta aqui. Vamos conversar? Onde dói? Como posso te ajudar?

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