O recado do eleitor brasileiro

O recado do eleitor brasileiro foi bem claro: “Nunca, jamais subestime a capacidade do brasileiro de mudar o jogo”. Caciques políticos caíram. O tombo foi grande e feio. Óbvio nem todos, mas boa parte deles. A maioria dos ministros de Temer não conseguiram se reeleger. O recado das urnas foi bem específico: MDB, PSDB foram eleitos os vilões. Nesses casos, três foram emblemáticos: as derrotas de Eunício Oliveira no Ceará e de Romero Jucá em Roraima. Mas vale lembrar as derrotas de Beto Richa e Roberto Requião no Paraná, de Magno Malta no Espírito Santo, Edison Lobão e Sarney Filho no Maranhão, Marconi Perillo em Goiás, Lindbergh Farias e César Maia no Rio, Eduardo Suplicy em São Paulo, a ex-presidente Dilma Rousseff em Minas, Cristovam Buarque no Distrito Federal.

A lista foi enorme. Em casos como de Jucá (que perdeu por pouco menos de mil votos) e de Eunício Oliveira, presidente do Senado, fica evidente que suspeitas de corrupção e a proximidade com o presidente Temer pesaram. A derrota dos dois é emblemática e simbólica. Com isso, veio a renovação. E ela surpreendeu.

Mas tem aquela lista de antigos políticos que se reelegeram como Aécio Neves, Renan Calheiros, Gleisi Hoffmann, Ciro Nogueira, Mário Negromonte.

Segundo dados do TSE, a cada quatro senadores que tentaram a reeleição, três perderam. A renovação no Senado Federal foi de 85%. Das 54 cadeiras disputadas, 46 serão ocupadas por novos políticos. Não há uma renovação desta desde 1989. Tudo indica que os políticos desprezaram o que se passava nas ruas desde 2013 (o ano que ainda não acabou). Acharam tudo foi normalizado depois de 2014. Mas a crise econômica, moral e política, o impeachment de Dilma, as manifestações, o fracasso do governo Temer fizeram com que o efeito Bolsonaro ganhasse cada vez mais força.

Câmara dos Deputados

Já a renovação da Câmara é a maior em 20 anos. Aproximadamente 52% ocuparão as cadeiras de deputado. O PSL de Jair Bolsonaro foi o mais vitorioso com 52 cadeiras, mas ainda perde para o PT com 56 deputados (em 2014, o PT havia elegido 69). Vale destacar a queda brusca do MDB de Michel Temer com uma queda de 65 para 34 e do PSDB, que caiu de 54 para 29. É evidente que eles foram os grandes derrotados dessa eleição.

Outro destaque é que tanto Bolsonaro quanto Haddad terão dificuldades em virtude do nosso pluripartidarismo. Em ambos os casos, seus partidos, os que têm mais cadeiras na Câmara, têm, apenas, aproximadamente 10% dos deputados. Assim, 31 partidos tem, no mínimo, 1 parlamentar. A negociação para o futuro presidente da República vai ser complicada.

Dessa forma, o eleitor esboça que começou a “estancar essa sangria”.

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1 Resultado

  1. Alexandre José de Athayde Guimarães disse:

    Muito bom o texto. Bem escrito e muito atual

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