A influência brasileira na América Latina

Domingo, o brasileiro vai às urnas e o mundo assiste ao resultado com curiosidade. Mas uma região dele em especial, a América Latina. Você pode pensar que não, mas o que acontece aqui tem reflexo direto e determinante no que ocorre nos países latino-americanos. É o que podemos chamar de influência brasileira. Nesse ano, o pleito eleitoral daqui vai ditar o comportamento dos governantes dos países dessa região.

Especialistas afirmam que essa eleição é a mais polarizada e agressiva desde a nossa redemocratização e que vai ter um efeito cascata na América Latina, principalmente na América do Sul, onde a influência do Brasil é muito forte.

Há um aprofundamento (talvez, pela primeira vez em nossa história) entre direita e esquerda (sabemos, de fato, o que é direita e esquerda?) e uma consolidação e, até mesmo, um aprofundamento de valores conservadores, caso a vitória de Jair Bolsonaro seja confirmada no domingo.

A onda conservadora na América Latina

Desde 2013, políticos considerados de esquerda vêm perdendo espaço. Naquele ano, Sebastián Piñera, que comandava o Chile, na época, era o único mais à direita nos 12 países da América do Sul. Cinco anos depois, Colômbia com Iván Duque (desbancando o candidato do ex-presidente e Nobel da Paz, Juan Manuel Santos), Mario Abdo Benítez, no Paraguai, o retorno de Piñera, no Chile, Martin Vizcarra (ao substituir Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou), no Peru e Argentina de Maurício Macri são considerados no mapa político como governantes de direita. Cabe ainda lembrar o caso do Equador, que o seu presidente Lenín Moreno rompeu com o ex-presidente Rafael Correa e passou a contar com países de direita.

O México aparece como caso isolado. Andrés Manuel López Obrador foi eleito presidente em julho e, pela primeira vez na história mexicana, o país vai ser comandado por um político classificado como esquerda (ele quebrou uma polarização centenária). Além do México, outros países comandados por governantes de esquerda são a Venezuela, a Bolívia e a Nicarágua.

Fator Brasil

Em nenhum dos países citados foi registrado tamanha polarização como acontece no Brasil. Peru e Paraguai tiveram dois candidatos no segundo turno de direita.

O Brasil, em virtude de sua diversidade, é considerado um laboratório. Se algumas ideias dão certo aqui, elas tendem a se espalhar pela região. Assim, o Brasil pode servir como exemplo para avanço de pautas consideradas conservadoras como uma agenda contra o aborto, legalização das drogas, união homoafetiva, imigração.

Cabe lembrar que isso ocorreu outras vezes. Com a eleição de Lula, em 2002, candidaturas da mesma linha ganharam força pela América do Sul. Isso acabou elegendo Evo Morales na Bolívia, em 2005, Rafael Correa, no Equador, em 2006, Cristina Kirchner na Argentina, em 2007.

A possibilidade de ocorrer isso novamente é muito grande, porque o Brasil tem a metade da população, do PIB e do território da América do Sul. Há uma tendência muito grande dos governantes vizinhos imitarem, por exemplo, o estilo de Jair Bolsonaro (se a sua vitória for confirmada). Isso ocorre, apesar da imagem do país estar arranhada, por causa dos escândalos de corrupção, porque o Brasil ainda é um forte ator na região.

Em um possível governo Bolsonaro, podemos considerar a possibilidade de contatos mais fortes com presidentes da Colômbia e do Chile.

E em um possível governo Haddad, podemos considerar a forte possibilidade de uma virada na onda latino-americana.

Impacto na Argentina e na Venezuela

É claro que o apoio a Nicolás Maduro na Venezuela é impossível. Mas os reflexos da eleição de domingo pode ser sentido na grave questão da imigração venezuelana. Dependendo de medidas do futuro governante, a crise pode piorar.

Já a Argentina assiste ao desenrolar dos acontecimentos com muito cuidado. Em mais uma das suas graves crises econômicas, os argentinos tentam manter boas relações com os dois candidatos. Não houve classificação extremista para Bolsonaro. Há uma aproximação com Haddad.

A dependência argentina em relação à economia brasileira é muito grande. É monstruosa. Por isso, Macri torce por uma vitória de Haddad. Ele não sabe como seria a relação com Bolsonaro. Um possível protecionismo bolsonarista na economia brasileira em relação aos países do Mercosul. É possível dizer que não há maior interessado nessa eleição que a Argentina.

Assim, para você que pensa que o Brasil é um mero coadjuvante , não sabe que muitos olham atentamente o que sairá das urnas no domingo a noite.

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1 Resultado

  1. 5 de dezembro de 2018

    […] Internacional: Influência brasileira na América Latina […]

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