As duas faces do “sim” de Sérgio Moro

Uma notícia impactante. Nessa semana, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, anunciou que Sérgio Moro aceitou o convite para ser o seu ministro da Justiça. Um superministério que, segundo o presidente eleito, dará toda autonomia para Moro trabalhar no combate a corrupção. Vai, entre outras coisas, juntar o Ministério da Justiça, o Ministério da Segurança Pública, Polícia Federal. Seria um superministro para um superministério.

O assunto agitou todos os meios e para falar dele, é necessário ver duas visões. A de Jair Bolsonaro e da Operação Lava-Jato. Visões que podem ser colocadas de lados opostas.

Lado de Jair Bolsonaro

Para o presidente eleito, foi um gol de placa. Uma das jogadas mais inteligentes desde o início da campanha eleitoral. Ele cria uma agenda positiva para o seu futuro governo, ganha lastro para o desgaste que vai ter durante 2019, junto à sociedade, para votar a Reforma da Previdência, a flexibilização do Estatuto do Desarmamento, sobre questões do reajuste do mínimo e da aposentadoria, freia o movimento da mídia tradicional (que estava se transformando contrário a ele, depois das fortes críticas que a Folha de São Paulo recebeu), começa a trabalhar, que mesmo na presidência, a ideia de que cumpre com a sua campanha como antissistema, empurra o Congresso para um apoio (mesmo que involuntário) a ele. Ou seja, é um daqueles golaços que todos ficam comentando durante um tempo.

Lado da Operação Lava-Jato

A questão sobre o lado da Lava-Jato está mais na decisão de Moro, não no convite de Jair Bolsonaro. A operação nunca esteve tanto na berlinda como está agora. Ao aceitar o convite, Sérgio Moro coloca em xeque todas as decisões da operação desde 2014. Além disso, faz com que parte considerável da população possa se colocar contra a Lava-Jato, dá peso as versões dos réus sobre perseguição política (tese defendida pelo PT) e que, desde 2014, Sérgio Moro estaria fazendo campanha para chegar onde chegou (a imprensa internacional trata o assunto como um prêmio de Bolsonaro a Moro por ter tirado Lula da campanha presidencial).

Cabe lembrar que com essa decisão, a campanha presidencial de 2022 pode ter começado com o agora ex-juiz pintando como forte candidato à sucessão.

E por mais irônico que possa ser, Bolsonaro pode ajudar, indiretamente, o ex-presidente Lula a sair da prisão, porque os processos mudam de juiz e podem tomar novos rumos.

Foram por questões semelhantes que a Operação Mãos Limpas (operação que inspirou a Lava-Jato e é citada por Moro), na Itália, fracassou e chegou ao fim.

Antônio Di Pietro era o principal representante do Judiciário italiano na época da operação e visto como herói nacional, assim como Moro, porque colocou políticos na prisão após escândalos de corrupção. Ao entrar na política Di Pietro também se envolveu em casos de corrupção e hoje é visto com descrédito pela opinião pública italiana e ele mesmo admite que foi o principal erro dele.

Saiba mais sobre Di Pietro

Não estou dizendo que Moro e a Lava-Jato vão ter o mesmo fim de Di Pietro e da Operação Mãos Limpas.

Agora, caberá a juíza Gabriela Hardt (por enquanto, interina) tirar a Operação Lava-Jato dessa berlinda. Uma juíza que é vista como “discreta”, “coerente” e “firme”.

Clique aqui e leia mais sobre a juíza

Dessa forma, enquanto Bolsonaro faz uma grande jogada, a Operação Lava-Jato está em um tempo de duros questionamentos que podem mudar o seu rumo. 2019 será de fortes novidades.

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2 Resultados

  1. Tânia Mara Cioni Peres disse:

    Que interessante sua narrativa, a maioria do povo não está vendo por este lado este processo de aceitação do Juiz Sérgio Moro. Espero que tudo q foi feito até agora continue na mais perfeita ordem.

  1. 7 de novembro de 2018

    […] Os dois lados do sim de Sérgio Moro […]

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