A aparente Guerra Fria entre Bolsonaro e o Congresso Nacional

Dia 7 de novembro foi um dia de grandes surpresas e de um embate entre Bolsonaro e o atual Congresso, mais especificamente o Senado. Parece uma Guerra Fria (a Guerra Fria foi um período entre o pós-Segunda Guerra Mundial e o final da década de 1980 e foi uma disputa entre Estados Unidos e União Soviética – recebe o nome de “Fria”, porque nunca houve um embate direto entre os países, apesar de várias vezes o conflito ter sido iminente).

Somente hoje, o Senado coloca para votar de surpresa, o aumento do Judiciário, podendo ocasionar um efeito cascata e, por consequência afetar diretamente a pretensão do presidente eleito em cortar gastos, Bolsonaro fala que o Ministério do Trabalho vai perder o status de ministério e se juntará a outra pasta (será um blefe?), Paulo Guedes fala em dar uma prensa no Congresso para votar a Reforma da Previdência ainda este ano, Bolsonaro fala em convencimento, o MDB de Michel Temer  anunciou independência. Em resposta, a votação do Senado, o presidente eleito afirma que na sua primeira semana de governo vai abrir a caixa-preta do BNDES (muitos afirmam que os escândalos da Petrobrás parecerão mínimos próximos aos do banco).

O atual Congresso deu um recado claro ao presidente eleito. Ao aprovar o aumento de salário do Judiciário, fala ao presidente eleito que as pautas-bomba existem e que, ainda este ano, podem travar o máximo possível o governo dele. É óbvio que não podemos fazer prognósticos de como vai ser a relação de Bolsonaro com o Congresso, porque os parlamentares irão mudar muito. Porém, isso pode ser indício, que, assim como outros presidentes, Bolsonaro pode ficar refém dos acordos que precisa fazer com os parlamentares. Além disso, mostra que Bolsonaro está mexendo em um vespeiro muito grande.

Clique aqui e veja sobre a aprovação do aumento salarial do Judiciário

Como resposta, Bolsonaro falou que irá abrir a caixa-preta do BNDES na primeira semana de governo. Caso isso se confirme, seria uma nova série de escândalos. Porém, isso coincide após a decisão do Senado de votar o aumento do Judiciário. É um jogo de quebra-cabeça complexo e que um passo a mais, a Guerra Fria ganharia proporções gigantescas.

Leia sobre a declaração de Bolsonaro

No horário do almoço, o presidente eleito anunciou que as funções do Ministério do Trabalho serão fundidas em outras pastas. Ou seja, seria o fim do Trabalho com status de ministério. Mas o que chama a atenção é que Bolsonaro só disse isso e não explicou mais nada. Seria isso um blefe para ver a reação da opinião pública? Seria um blefe para fazer a Folha de São Paulo perder a credibilidade? (Foi o jornal paulistano que noticiou isso em primeira mão).

Nesse período de transição, é evidente que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, age de modo muito semelhante com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ao usar ativamente o Twitter e ao falar e depois voltar atrás. É possível que essa autenticidade de Bolsonaro pode fazer com que ele tenha uma boa popularidade.

Clique aqui e saiba mais sobre o fim do Ministério do Trabalho

O outro fato que chama a atenção é que o senador do MDB, Romero Jucá, anunciou que o partido será independente na próxima legislatura, podendo apoiar ou não o presidente em determinadas propostas.

Isso chama muito a atenção, porque é a primeira vez desde a redemocratização que o partido não estaria no governo.

São muitas novidades em pouco tempo e que opinar agora é precipitado, porque estamos lidando com fatos novos e entrando no desconhecido. Mas há uma Guerra Fria entre o Bolsonaro e Congresso, isso há.

 

Os dois lados do sim de Sérgio Moro

 

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