Sociedade: como as fake news nos afetam?

Sociedade. Como as fake news têm afetado a nós, como sociedade? E o nosso comportamento? Em quem acreditamos? As notícias falsas influenciam o nosso comportamento em sociedade. Muito mais que imaginamos. Elas fazem parte do nosso cotidiano. E hoje, no penúltimo episódio da série, o assunto vai ser “Fake news e a sociedade”.

Vivemos em uma sociedade com uma utilização frequente e massiva das redes sociais, com crescimento cada vez maior sobre nós, em virtude de um apelo cada vez maior a crenças pessoais e/ou emocionais do leitor com o objetivo de obter uma maior divulgação.

Esse cenário na sociedade permitiu um campo fértil para a proliferação das fake news. E podemos atribuir isso (para mais informações, clique aqui), a quatro fatores: descentralização das informações, polarização política, crise de confiança nas instituições e o crescimento de um pensamento individualista.

Sociedade e as fakes news: como a crise de confiança favorece as notícias falsas?

As instituições políticas, de modo geral, em todo o mundo, passam por uma crise de confiança sem precedentes, em virtude de vários fatores, e, por isso, presenciamos o avanço de ideias radicais em vários cantos do planeta. E como consequência, essa crise acarreta, no acirramento e avanço da polarização política (estamos vivendo isso no Brasil), com a sociedade se dividindo entre dois pensamentos extremos.

Esse cenário se agrava com as redes sociais, porque seus usuários conquistaram um espaço de exposição de suas ideias e de interesses próprios, em que há, sempre, a predominância dos seus gostos, fortalecendo um comportamento individualista. Ou seja, as redes sociais acabaram se transformando, em uma ferramenta da sociedade, de livre manifestação da posição política, com liberdade total, e sem precedentes, de ataque ao pensamento contrário. Esse é o contexto ideal para as fake news prosperarem.

Como as notícias falsas podem ser classificadas?

As fake news apresentam classificações em sete grupos distintos:

  1. Conteúdo fabricado;
  2. Conteúdo manipulado;
  3. Conteúdo impostor;
  4. Falso contexto;
  5. Conteúdo enganador;
  6. Falsa conexão;
  7. Sátira ou paródia.

Nas classificações mencionadas acima, em todos há alguma influência na sociedade. No conteúdo fabricado, há apresentação de notícia totalmente falsa ao leitor; no conteúdo manipulado, acontece a manipulação de uma informação verdadeira para algo falso; no conteúdo impostor, o autor coloca a utilização falsa de fontes verídicas para dar credibilidade ao material; no contexto falso, o que é verdadeiro é compartilhado em um falso contexto; no conteúdo enganador, há utilização de maneira enganosa de uma informação visando prejudicar um tema ou indivíduo; na falsa conexão, o título, imagem ou citação da notícia não é enquadrada ao seu conteúdo; e na sátira ou paródia, nada mais é que a utilização de notícias falsas com a intenção de causar humor ou reflexão não tendo como objetivo prejudicar o indivíduo ou o fato mencionado.

Sociedade e as fakes news: o efeito nocivo dessas notícias falsas

Em 2016, ocorreu um caso de um grande exemplo de como as notícias falsas podem influenciar o comportamento de uma sociedade e mudar o rumo dos fatos.

É o caso ocorrido durante as eleições presidenciais de 2016 e que ficou conhecido como “Pizzagate”. A partir do deepweb (o submundo da internet), apoiadores do então candidato Donald Trump (não há comprovação que membros da campanha e que o atual presidente sabia sobre isso), a partir de fóruns, através de interpretações de documentos vazados pelo Wikileaks, eles espalharam boatos de que a candidata à presidência, a democrata Hillary Clinton, seria a líder de uma rede de prostituição e tráfico infantil e que os abusos ocorreriam no porão de uma pizzaria chamadas Comet Ping Pong, localizada em Washington. Rapidamente, o boato ganhou as redes sociais como o Facebook e o Twitter, se espalhando de uma forma gigantesca, que resultou em investigações conduzidas pela polícia local e por jornais tradicionais como o The New York Times, além de investigações amadoras, conduzidas por populares indignados com o que estaria acontecendo.

E no Brasil, boatos virtuais também passam para o físico. No primeiro episódio (clique aqui para ler), já foi citado sobre o caso da mulher morta no Guarujá/SP. Mas não é somente esse episódio que acontece por aqui não. É possível constatar boatos das mais diversas consequências a integridade moral e até mesmo física de quem é alvo dessa história, podendo levar inclusive a morte.

Um outro caso que aconteceu foi, em 2017, em Araruama, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Um casal foi linchado por cerca de 200 pessoas em virtude de um boato que viralizou pelo WhatsApp. A mensagem viral mostrava fotos do carro do casal e alegações que teriam sequestrado uma criança. Depois do linchamento, o carro foi queimado pela multidão enfurecida. Se a polícia não interviesse, o casal teria sido assassinado.

Sociedade brasileira: aquela que mais acredita em fake news

Em pesquisa no final de 2018, o Instituto Ipsos divulgou que o brasileiro é o povo do mundo que mais acredita em fake news. Segundo o instituto, aproximadamente, 62% dos brasileiros acreditam em uma notícia, que, na verdade, é um boato. Depois vem a Arábia Saudita, a Coreia do Sul, o Peru, a Espanha e a China.

A maioria dos brasileiros afirmou que só desconfia de alguma notícia recebida se acontecer algum alerta. Caso contrário, não há. Outro dado constatado foi que, na medida que crescem as fake news, a confiança nos políticos despenca.

As sociedades que mais desconfiam dos boatos são as do Reino Unido, da Turquia e da Itália.

E na semana que vem, no último episódio, vamos falar sobre as deepfake. Sim, hoje em dia, com inteligência artificial, eles usam o rosto e a voz do indivíduo para enganar, tornando cada vez mais difícil desmentir as fake news.

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Para acessar a primeira reportagem da série, clique aqui

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